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Quando a Escolha Racional Falha – John Elster

07/08/2011

por Guilherme Machado Guimarães

A teoria pode falhar em sua explicação por dois motivos: Indeterminação e Inadequação. O segundo motivo é pior, pois é preferivel uma teoria que preveja fracamente que erradamente.

Teoria da Escolha Racional é Normativa e secundariamente Explanatória, pode-se dizer que ela é inadequada, pois não preve o comporamento irracional, em fato ela falha em reconhecer a indeterminação da teoria da escolha racional que pode levar a um comportamento irracional. Ela é limitada de ambos os lados, por fazer uma conta normativa do comportamento humano e por descrever em casos particulares noçõs pre-analiticas de sobre o que é racional.

Ação Racional:

A teoria da escolha racional nos diz o que devemos fazer na ordem para alcançar nossos objetivos, o melhor possível. Não nos diz quais devem ser nossos objetivos (versão padrão).

O centro da explicação é a ação que deve ser a melhor maneira de satisfazer o desejo dado as crenças, sendo que ambos (desejos e crenças) devem ser a si mesmos racionais. As crenças devem ser otimamente relacionadas com as evidencias racionais. Para formar as crenças deve-se considerar toda a evidencia relevante e nenhum elemento deve ser estimado excessivamente. A eficácia da ação pode ser destruida se pegarmos pouca ou muita evidencia. A relevancia e a quantidade ótima das evidencias é parcialmente influenciada pelos nossos desejos e parcialmente infuenciada pela nossa crença sobre o custo de ter mais evidencia. A Ação Racional  envolve três processos de otimização. Achar a melhor ação dado os desejos e crenças, formar a melhor crença dado as evidencias e a quantidade de evidencia dado nosso desejo e nossa crença de custo da informação:

A escolha racional pode falhar em três níveis: Realização da ação, formação da crença e coleta de evidencias. Este erro pode ser tanto por indeterminação quanto por irracionalidade.

DESEJO

Desejos fortes podem ser irracionais quando estão fora do nosso alcance e nos deixam infelizes, mas pessoas que não seguem nenhum de seus desejos também são irracionais. Humanos são mais que máquinas de maximização de felicidade.Desejos são racionais quando nos tornam felizes? Adaptações inconscientes não podem ser racionais, pois não conhecemos os processos psicológicos que moldam o desejo, somente adaptações conscientes para nos deixar felizes, que são racionais.Exemplo 1: Tratamento psiquiatrico para dissidentes soviéticos, pois sofriam “deficiencia de adaptação”. Mas os dissidentes questionavam se Lenin também sofria de “deficiencia de adaptação”, quando se rebelou contra o regime Czarista.(PREFERÊNCIAS ADAPTATIVAS)NÃO SE PODE CRIAR CRITÉRIOS DE RACIONALIDADE PARA OS DESEJOS

CRENÇA

Crenças que nos deixam felizes são racionais? Em geral espera-se que a melhor maneira de ter felicidade é através de crenças baseadas em evidencias verdadeiras. Ações racionais exigem crenças corretas, mas ser sábio não garante felicidade. Altos níveis de motivação requerem uma irrealista auto-imagem positiva, se tivermos uma autopercepção acurada acabamos por perder a motivação. A crença a qual é injustificada e de fato falsa pode ser bem instrumentalmente útil, mas parece estranho chamá-la racional. Crenças resistem a manipulação para fins instrumentais. Vontade de crer, por causa das conseqüências de ter boa crenças, é uma empreitada auto-destrutiva, por ser irracional.Exemplo 2: Crença na Estabilidade do Casamento, apesar da probabilidade de divórcio ser de 40% (“Não vai acontecer conosco”) .(CRENÇASVIESADAS PELO DESEJO)NÃO SE PODE CRIAR CRITÉRIOS DE RACIONALIDADE PARA AS CRENÇAS

Indeterminação:

Uma teoria deve prever, dado condições iniciais, o que ira acontecer unicamente. Uma teoria que não rende uma unica predição é incompleta, mas é melhor do que não ter teoria. A teoria da Escolha Neoclássica promete uma unica predição, baseando o comportamento como maximizador, muitas funções e conjuntos da economia são bem comportadas, trazendo uma unica resposta (Max Lucro, Max Util com uma cesta de bens). O que será discutido é quando a Escolha Racional falha? (prefência incompleta; inexistência de convicção ótima e quantidade de informação)

O problema da mutipla escolha é trivial pois ele pode ser indiferente a dois ou a mais bens e acabar escolhendo randomincamente ou através de mecanismos inconscientes. O grande problema é quando o indivíduo não consegue fazer um ranking e comparar as opções, tornando as preferências incompletas, podendo não haver uma ação ótima.

Ser racional não envolve ter “preferências completas”, insistir em preferências completas acaba levando a hiperracionalidade que é irracional (Custo da Evidência).

Exemplo 3: Escolher a carreira pode não ser racional, se faltar informação quantos aos possíveis futuros, rendimentos, prazer e também devido a grande quantidade de opções não sendo possível fazer uma escolha racional e considerações periféricas acabam tornando-se centrais.

Em casos onde o horizonte é infinito não existe uma escolha ótima, pois a sempre o incentivo de postergar a escolha, porém postergar a escolha para sempre é irracional e não ótimo. (Paradoxo de Heal, 1973).

Dificuldades decorrentes de preferências incompletas são reais e importantes. A dificuldade das comparações interpessoais impede de fazermos um ranking, quando se contabiliza o bem estar e outras opões. Impedindo prever uma escolha ótima.

A não existencia de uma convicção ótimaacontece por dois motivos:

INCERTEZA (ignorancia): As escolhas são feitas sobre o risco (probabilidade e julgamento). Reconhecer a incerteza traz uma limitação para a teoria da Escolha Racional, mas ela não perde seu poder.

Exemplo 4: A escolha do local onde se colocará o lixo radioativo através da comparação entre o risco aceitável e o calculo probabilistico, de que mecanismos geológicos gerem um vazamento nuclear e o seu grau de transtorno (no meio do oceano a 10 km d superficie não me incomoda).

INTERAÇÃO ESTRATÉGICA: somos capazes de descartar uma opção na presença de outra que tem conseqüências melhores. Algumas opções são melhores em alguns cenários que outros e por isso devemos contabilizar apenas a melhor e a pior consequencia para cada ação e adotar estratégias como “MaxiMin” ou “MaxiMaxi”.

Escolhas racionais envolvem crenças de como as escolhas são feitas por outros indivíduos e eles também formam crenças sobre nosso comportamento. Em algumas situações descritas na Teoria dos Jogos, como “Galinha” e “Batalha dos Sexos”, não é possivel formar uma crença pois á multiplos equilíbrios

Exemplo 5: As Expectativas Racionais supõem que as pessoas estão olhando para  frente, não para o passado, ao formarem suas expectativas e que eles fazem melhor uso das informaçõese dos melhores modelos, tornando as espectativas auto-realizadas. No mundo real a sociedade possui um conjunto grande de expectativas que possibilitam mutiplos equilíbrio, por isso o Governo deve intervir para eliminar alguns equilíbrios, para que os agentes racionais possam criar uma expectativa autorrealizável.

Exemplo 6: O conhecimento dos fatores que governarão a renda dos investimentos, para os próximos 10 ou mesmo 5 anos é mínima e não existe uma estratégia perfeita para decidir onde e quanto investir, mas mesmo assim há investimento. O empresários poderia muito bem seguir o conselho de Keynes e ser guiado por seu “animal spirit”.

Para escolher é necessário colher uma quantidade ótima de informação para formar uma opinião, um agente racional adquire informação até o ponto que o custo marginal de adquirir informação é igual a expectativa marginal de valor. As vezes é impossível estimar o custo marginal e o benefício marginal de mais informação. As pessoas sabem que faz sentido gastar algum tempo pesquisando e que seria inútil procurar sempre, mas entre esses limites inferior e superior há um intervalo de indeterminação.

Irracionalidade:

A Inadequação na teoria da escolha racional é a falha em reconhecer que a teoria falha  em render uma unica prescrição ou predição, devido a irracionalidade. A Crença irracional na razão onipotente é chamada de Hiperracionalidade.

Podemos falhar na racionalidadeno nível da ação ao não otimizar nossa ação dado nossos desejos e crenças por fraqueza de vontade – quando cremos que no longo prazo X>Y, porém escolhemos Y por impulso ou por interesse no desejo de curto-prazo. Ex: Sexo sem camisinha –  ou por excesso de vontade – quando desejo e crença querem Y, fazem X para ter Y, mas não conseguem Y, por fatos extraordinários que atrapalham (falha honrável) ou por ter muita intensão de fazer X para ter Y que acaba atrapalhando o desempenho de X. Ex: Correr muito atrás de mulher.

Podemos falhar na racionalidade no nível do desejo e da crença, por subverter e distorcer nossa ação por impulsos de motivação (Desejo) ou por um inadequado processo cognitivo (Crença):

BASE MOTIVACIONAL

Motivação: Mecanismos motivacionais inconscientes mudam nosso desejo. O processo de “Dissonancia Cognitiva” que naturalmente tende a reduzir a tensão entre o desejo e a crença de forma que reduz  tensão criada por  avaliações que dão alto valor esperado para objetos que acreditamos ser inatingível ou baixo para objetos acreditamos ser inevitável.

Exemplo 8: Um café Hungáro vendia cafés padrão, foi piorando, com o tempo, a qualidade dele sem abaixar o preço mas a demanda pelo produto não reduziu. Após passou a vender dois tipos de café o premium, mais caro e que possuia a mesma qualidade que era oferecida anteriormente e o padrão que teve sua qualidade reduzida. As pessoas começaram a comprar o premium, saiam felizes e o dono lucrava mais.

Desejos moldados por mecanismos que aumentam a dissonancia são obviamente irracionais. Muitas pessoas preferem a novidade que ficar com o problema, mas não fazem juizo de valor se estão mudando para melhor.

Cognição: A Dissonancia Cognitiva ajusta também nossas crenças, para que nos sintamos felizes por termos feito “a coisa certa” (“Fábula da raposa e da uva” – Esopo; Culpar a vítima; Se tratar de cancêr pela fé e não pela ciência). Redução da dissonancia ameaça a autonomia e a racionalidade, mas é entendível na linha dos termos de maquina de satisfação. Produzir dissonancia indica que as linhas foram cruzadas e que algo está radicalmente errado.

BASE COGNITIVA

Motivação:Violações a respeito da teoria da utilidade geram comportamento irracional. Como o framing, onde uma mudança na decrição de um problema, mas não dos valores e proporções, geram uma mudança de escolha. Outro exemplo é não tratar as probabilidades com o mesmo peso acreditando que algo possível, porém raro, irá acontecer, exagerando a diferença entre eventos impossíveis e de baixa probabilidade ou de certos e quase certos.

Cognição:A formação de crenças pode falhar porque as pessoas confiam em princípio heurístico enganosos ou, por ignorarem fatos básicos sobre inferência statistica como que em média, um desempenho excelente é provável que seja seguido por umamédia mais próxima.

HIPERRACIONALIDADE

(1)   Algumas pessoas preocupam-se em eliminar a incerteza e sua crença ou sua preferência incompleta embora a situação de escolha seja essencialmente de incerteza. Forçar a revelar a preferencia, ou probabilidades subjetivas não geram bons resultados .

(2)   Olhar a segunda casa decimal quando não se conhece a primeira.

(3)   Reformulam um problema de indecisão para parecer que é determinado.

(4)   Procuram o que é racional a se fazer em qualquer situação, em vez de procurar regras mais gerais que abrangem muitos casos semelhantes.

(5)   Ignoram os custos da informação e o tempom ao se fazer uma decisão.

Alternativas para a Racionalidade:

O poder da teoria de escolha pode ser distinguido por dua situações: importancia do problema e quantidade de elementos envolvidos. Problemas pequenos (escolher entre maçã e laranja) são irrelevantes, problemas grandes (escolher por uma vida ou outra) fogem da teoria da racionalidade e são dotados de probabilidades subjetivas, problemas médios (escolher casa, carro) acabam sendo bem previstos pela teoria, apesar de ainda ser largamente indeterminado. Um agente ou muitos agentes é mais fácil de conseguir uma única predição do que poucos agentes, pois um agente não possui o problema de indeterminação estratégica, enquanto que muitos agentes acabam convergindo a um equilíbrio único de preço.Como as pessoas lidam com a irracionalidade?

A irracionalidade é bastante difundida, mas não é marginal e nem onipresente. Apesar da Indeterminação ou da irracionalidade serem difundidas, ainda podemos contar com a normatividade da teoria da escolha racional, pois nós queremos ser racionais. A teoria descreve nosso comportamento, mas não explica. Há outras teorias.

Teoria da Psicologia: busca explicar as violações na teoria da utiidade esperada

Teoria da Biologia: é um principio mais fundamental que a maximização da utilidade, onde otimizam as escolhas a partir de dois parametros, recompensa e altas probabilidades ( é pré-racionalidade, mas com grande poder de predição).

Teoria da Sociologia: Mais promissora, as regras sociais dizem o que devemos fazer, através da força ou sansões, ele não raciocina só para si, mas também para os outros e pelos outros.

……….

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From → Reflexões

One Comment
  1. Gui permalink

    ótimo resumo, me auxíliou muito nos estudos sobre a teoria da racionalidade

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