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Porque eu sou a favor da HIGIENE

07/10/2011

Para  Jean-Jacques Rousseau: “A única parte útil da medicina é a higiene; e esta, mais do que ciência, é virtude.”

Considero o ponto de vista de Rousseau um tanto extremo, até porque, eu mesma, tivesse vivido na época dele, não teria ultrapassado os 22 anos de idade. Se semana que vem completo 28 anos é, sobretudo, pela utilidade da medicina. Mas é fato que,  considerando-se a evolução da ciência em outras áreas, a pesquisa em saúde anda a passos de tartaruga e deixa muito a desejar. Nos últimos anos, gigantes farmacêuticas têm literalmente fechado seus setores de pesquisa e desenvolvimento.  Isso não se aplica as empresas nacionais, uma vez que aqui nunca se fez pesquisa e desenvolvimento de verdade. O máximo que fazemos é tentar copiar as formulações já existentes da melhor maneira possível. Mas, qual a justificativa pra se fechar departamentos que procuram inovação em saúde em um mundo que carece cada vez mais de bem estar?  O principal argumento é que não se consegue descobrir nada de novo que realmente compense os custos em pesquisa, será? É, no mínimo estranho, que a tecnologia tenha avançado tanto e os últimos antibióticos efetivos tenham sido descobertos ainda na década de 50!

Nos últimos anos, outro “ramo” na área da pesquisa farmacêutica começou a se desenvolver, os chamados DDS (Drug Delivery Systems) que aliás, foi impulsionado por Richard Feynman e o advento da nanotecnologia. – Já que não conseguimos descobrir moléculas novas, vamos “direcionar” melhor as que já temos. Esses sistemas chegaram a ser denominados de “Bala Mágica”, mas até agora, nada de realmente relevante foi desenvolvido fora da bancada dos laboratórios.  No final das contas, a nanotecnologia, ficou mais bem adaptada ao ramo da cosmética e da higiene.

Não acredito que a indústria farmacêutica queira manter o mundo doente, para assim, vender mais! Como farmacêutica que trabalha na indústria de medicamentos sei que isso não existe e teoria da conspiração tem limite. Mas, caso assim fosse, quem poderia salvar a medicina dos interesses escusos da indústria seria a Academia…mas aí, inventaram a tal política dos pontinhos (http://www.cartacapital.com.br/economia/morte-por-capes) e, infelizmente, não só aqui no Brasil, a academia se desviou do seu objetivo de descobrir meios de melhorar a qualidade de vida das pessoas para, simplesmente,  publicar muitos artigos (http://slowscience.fr/ e http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/aug/29/academic-publishers-murdoch-socialist).  Além disso, a pesquisa em saúde carece, urgentemente, de uma ponte entre o mundo acadêmico  e o mundo “lá fora”. Neste sentido, já existem algumas iniciativas, que tentam quebrar os muros da universidade, como o Innocentive – da Revista Nature –  e o Portal iBridge – apoiado pela Fundação Rockefeller. No Brasil, iniciativas como estas começam a surgir muito timidamente.

É por essas e por outras que eu acredito na PREVENÇÃO. Não na prevenção que remete ao desenvolvimento de super vacinas com manipulação de genes dentro de carreadores supraparamagnéticos, mas sim naquela de medidas simples como lavar as mãos com freqüência. Como na mitologia grega, Higéia – deusa da limpeza e sanidade – era filha de Esculápio – deus da cura – acredito que são os pequenos gestos que, unidos, podem curar o mundo!

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4 Comentários
  1. Quando eu li o título pensei que vc iria falar que era a favor de higienismo, tipo, mandar mendingos pras favelas, crianças de rua e etc…

    Basicamente, a gente vê que as pesquisas cientificas na academia estão sempre visando algum objetivo de industria. As pesquisas pelo desenvolvimento da ciência já se transformaram em pesquisas pelo desenvolvimento da indústria, que fornece dinheiro para a pesquisa acontecer. No fim, nada de relevante acontece, somente mais um estudo sobre qualquer coisa que pode virar tendência de mercado.

  2. Oi Vinícius! Na verdade, o conceito de higiene é bem mais amplo do que escovar os dentes todos os dias e andar “cheirosinho”! rsrsrs
    Concordo contigo, as pesquisas em saúde seguem “tendências” de mercado, com prazos para lançamentos e novidades efêmeras que não se sustentam nem por 5 anos no mercado. E dizer que a aspira data de 1899 e a penicilina de 1941!
    Gostei muito do teu blog, acredito, como diz Matheus Pichonelli, que Revoluções não se fazem pegando em armas e sim, escrevendo!

    Abraços

    • Sim, sim, eu sei que não é escovar os dentes e ficar limpo pra ir à igreja e etc. :]

      Obrigado! Gostei muito do seu blog, aliás.

  3. marlene ordakowski permalink

    Muito bom o texto, realmente a falta de investimentos na pesquisa de novos medicamentos é preocupante, imaginem que tratamentos para o câncer podem ser aprimorados já que a cura parece distante.

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